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Correio Popular, Política, página 5 - Campinas, 30 de novembro de 2000

LICITAÇÃO PARA O LIXO DESAGRADA O COMDEMA

O posicionamento irredutível do prefeito Francisco Amaral (PPB), em finalizar o processo de licitação para a prestação dos serviços de limpeza pública e homologar o resultado da concorrência publicado no Diário Oficial do Município, desagradou não somente o prefeito Antônio da Costa Santos (PT), que manifestou publicamente ser contrário ao contrato de R$ 133,6 milhões com o Consórcio ECOCAMP, para os próximos quatro anos. Ontem, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA/Campinas) enviou ofício ao prefeito recomendando que ele não assine o contrato. Apesar do Conselho não ter caráter deliberativo, o ofício contra a celebração do contrato tem seu peso político porque é assinado pelo presidente do COMDEMA/Campinas, Tadeu Silva da Gama, Secretário Municipal de Planejamento e Meio Ambiente. Uma justificativa para que Amaral não feche negócio com as quatro empresas, que compõem o Consórcio ECOCAMP, seria que a interrupção do edital de licitação pode “propiciar condições para o encontro de uma solução social e ambiental mais adequada para a nossa população”. Os integrantes do COMDEMA admitem que a “solução” possa estar nas mãos do próximo prefeito. “Sempre enviamos sugestões para serem acopladas aos editais de licitação, que permitissem a implantação da coleta seletiva, reciclagem e compostagem do lixo. Poucas destas avaliações técnicas foram aceitas para integrar os editais”, informou o coordenador da Câmara Técnica de Resíduos Sólidos do COMDEMA/Campinas, Hélio Shimizu. “Estas propostas fazem parte do programa de governo do PT”, ponderou. Segundo Shimizu, a assinatura de um contrato para os próximos quatro anos, nos valores estabelecidos, é no mínimo “duvidosa”, principalmente pelo momento em que será feito. “A cidade fica desconfiada com um contrato no valor de R$ 133,6 milhões, assinado em fim de mandato”, comentou. “O prefeito alega que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo não aceita mais contratos de emergência. Mas já não aceitava antes deste que está em vigor e, mesmo assim, não se finalizou a concorrência. Porque não se encaminhou o assunto em quatro anos e neste momento se tornou importante?”, questionou.

Tatiana Fávaro

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