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Correio Popular, Cidades, página 06, 12 de Janeiro de 2003

Lixo transformado em adubo reduz danos ao meio ambiente
Técnica desenvolvida por empresa da Ciatec, recicla, em Campinas, detritos orgânicos

Reduzir a quantidade de resíduos orgânicos levados para aterros sanitários ou depositados em lixões, transformando-os em adubo através da técnica da compostagem, é a meta do projeto Lixo Zero, desenvolvido por uma empresa incubada na Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec). O objetivo é tratar os detritos e evitar que eles gerem danos ao meio ambiente. A idéia é da EcoSigma, que já fez uma proposta à Prefeitura para desenvolver experimentalmente o projeto em parceria com a EcoCamp (empresa faz a coleta de lixo na cidade), no Aterro Sanitário Delta 1. A meta é processar inicialmente 30 das 500 toneladas de detritos orgânicos recolhidos diariamente. O trabalho seria complementar à coleta seletiva de material reciclável, que já é feita em cinco regiões de Campinas. Além do lixo urbano, a intenção da Ecosigma é utilizar também os restos de árvores e mato cortados pelo Departamento de Parques e Jardins (DPJ) e as sobras de alimentos comercializados pela Central de Abastecimento S.A. (Ceasa). A Ceasa inclusive já realizou o processo, em um projeto piloto, em parte das cerca de 40 toneladas de verduras, frutas e legumes jogadas fora diariamente. “A EcoCamp se encarregaria do transporte e a EcoSigma, que detém a tecnologia, cuidaria da logística da operação. A Prefeitura não teria nenhum custo, apenas cederia uma área no Delta para a armazenagem e o tratamento dos resíduos e ficaria com 10% do produto final, que poderia ser utilizado na adubação orgânica das hortas e canteiros municipais”, afirma o engenheiro agrônomo Fernando Figueiredo, um dos sócios da EcoSigma. Microorganismos Figueiredo explica que a tecnologia de compostagem desenvolvida pela empresa utiliza microorganismos específicos que, inoculados nas pilhas de material, mantêm a umidade controlada. Revolvidos periodicamente, os detritos se decompõem de maneira equilibrada e não geram o chorume, líquido escuro e mal-cheiroso que escorre da base dos aterros. “O chorume gera gás metano e pode contaminar o lençol freático e os mananciais, além de atrair ratos, baratas, moscas e urubus”, explica. Com a compostagem, em um prazo que varia de 40 a 60 dias, dependendo das condições climáticas, segundo Figueiredo, os resíduos estão prontos para serem usados como adubo orgânico. O engenheiro diz que, apesar do pouco volume inicial processado, o projeto Lixo Zero, que é modular, pode ser viável para tratar, a médio prazo, da quase totalidade do lixo orgânico da cidade, que chega a 15 mil toneladas por mês. Cerca de 20% dos detritos, que não podem ser reciclados nem decompostos, não têm como ser aproveitados por falta de tecnologia nacional, segundo Figueiredo. Exemplo no exterior Uma das opções para transformar esse material, informa, já existe na Bélgica, país que utiliza uma máquina para moer os resíduos e misturá-los a resinas. O produto final é usado na construção de mourões para cercas, entre outros fins. “Isso ainda está distante por causa do alto custo, mas a nossa intenção a curto prazo é testar no Delta novas técnicas para tornar o processo mais rápido, mais barato e com melhor produto final”, conclui o sócio da Ecosigma. A Prefeitura informou que o projeto Lixo Zero ainda está sendo analisado, pois a própria Administração têm estudos na área de tratamento de lixo, e ainda não há previsão de liberação para a implantação da compostagem no Delta 1.

Sammya Araújo/Agência Anhangüera

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