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Jornal do Brasil, Matéria

Economia Fraca se Reflete no Lixo do Rio

 

Economia fraca se reflete no lixo do Rio

Comlurb constata empobrecimento da população com base no peso da coleta domiciliar e da limpeza das ruas. Os indicadores da economia estão na lata do lixo, ou no asfalto, junto aos meios-fios, constata a Comlurb a partir da balança: quando a situação está boa, o lixo domiciliar aumenta e o público diminui. Se a economia vai mal, ocorre o contrário, porque as pessoas compram menos - consequentemente, a quantidade de embalagens descartadas é reduzida - e o número de camelôs, que sujam as ruas, se multiplica.

"Os economistas não nos enganam. Nós sabemos o que está acontecendo na economia pelo lixo", diz o presidente da Comlurb, Paulo Carvalho, com base em números reveladores: em 2002, a empresa recolhia, no Rio, quatro toneladas de lixo domiciliar por dia. Este ano, passou a coletar 3,7 toneladas. Já a quantidade diária de lixo das ruas subiu de 3,4 para 3,6 toneladas/dia.

Indicadores da lixeira também estão na política, aponta o presidente da Comlurb, com base em estatísticas da empresa: o lixo nas ruas aumenta durante os governos populistas, períodos em que, afirmou, há expansão da economia informal e das favelas. Carvalho disse que não queria acusar ninguém, mas revelou que a sujeira nas ruas aumentou durante os governos de Brizola, de Garotinho e do atual, de Rosinha. "Os governos populistas, por serem permissivos, provocam a geração de mais lixo público e isso tem reflexo nas despesas da Comlurb, porque, enquanto a coleta domiciliar custa R$ 42,45 por tonelada, a coleta do lixo público sai por R$ 123,64 por tonelada. Mais cara ainda é a limpeza de espelho d'água, que custa R$ 648,74 por tonelada", revelou Carvalho.

O lixo indica, ainda, o grau de miséria na cidade: ao contrário de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde a reciclagem chega a 30% por causa de altos subsídios, no Rio o índice atinge 80% do alumínio, 50% do papel e 25% do plástico, em virtude da ação de catadores - homens, mulheres, adolescentes e crianças que recolhem o material aproveitável das ruas e nos aterros sanitários de Gramacho e Gericinó.

Outro indicador econômico tirado da lixeira pelo presidente da Comlurb: quando há crise na economia, as pessoas evitam restaurantes, comem mais em casa e, por isso, há aumento do lixo orgânico doméstico, porque sobram mais restos. Em 1999, por exemplo, o percentual de lixo orgânico recolhido das residências do Rio era exatamente igual ao do inorgânico. No ano passado, o lixo orgânico retirado das casas e dos apartamentos da cidade chegou a 56%. - Nas crises econômicas, diminui no lixo a fração dos produtos descartáveis, porque as pessoas compram menos. Elas evitam, também, comprar comida pronta.

Fonte: Jornal do Brasil - RJ

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